Duas camélias para Dona Isabel. Óleo sobre tela, 2019.jpg

Sertões, Sertões 

Wilson Aragão

 

Sou peregrino na estrada

Eu quero à vida voltar

Cicatrizando os caminhos

Renascer e plantar

Sou peregrino na noite

Meu luar não se foi

Muitos manos ficaram, nem tudo se foi

 

E ficaram guardados atrás da porta

Meu fifó, meu cofo e a carabina

Minha sina de ser um filho da terra

E viver pelo mundo que não é meu

 

Ó Minas

Mira bem para o resto da estrada de ferro

Quantos braços cravaram tantos dormentes

Para ouvir o trem na curva apitar

E apitou e até nunca mais

Carcará cantando na estrada asfaltada

São os traços das eras chegadas pra quem duvidou

Urubus no céu, no canto alguns tabaréus

Resto de amor e respeito - eu tiro o chapéu

 

Arde ao sol de janeiro, planícies, montanhas

Coivaras acesas de pés de umburanas

Chapadas queimadas, pé-duros malhando nos licurizais

Trilham meus pés catingueiros ardentes estradas

Revejo algarobas, juremas queimadas

Tropéis de saudades, sertões, sertões, calumbis, gravatás

 

Vasta serrania cinzenta

Vai, pensamento, sonha

Abre as porteiras da terra

Vai, pensamento, corta esse céu

Leva o amor e traz a poesia para o meu cancioneiro

 

Fico na estrada pisando a lembrança de tanta vivência

Sentindo a ausência dos meus companheiros

Que em tempos passados, pisaram na estrada e até nunca mais

Mão de artista.png
O mar quando quebra na praia.jpeg
Lapinha de Bela.png
Espaço de pintar.png
Ao ar livre.jpeg
Riciere.jpeg

Extras: um sertanejo andarilho